O Irã conta os votos das eleições de 2009

Primeira página da edição online do Le Monde nas primeiras horas de 13 de junho de 2009. Foi essa página que Mitra Rahmani encontrou ao acessar o computador da universidade naquela manhã

(… ) Ao chegar à universidade, o primeiro compromisso de Mitra Rahmani era com a internet, por meio da qual acessava endereços virtuais de grandes jornais do Oriente Médio, da Europa e da América do Norte. Ela sentou‑se diante de um dos computadores conectados à rede e percorreu rapidamente alguns sites noticiosos iranianos a fim de saber notícias das eleições. A apuração parecia que entrara na reta final. Perto de 80% dos votos tinham sido contabilizados e tudo indicava que, até o fim da manhã, o país conheceria o vencedor.

Era o que também sugeria a edição eletrônica do Le Monde francês, que ela acessou em seguida. Conferiu as horas no mostrador do monitor: oito horas e trinta e quatro minutos. Dependendo da velocidade da conexão, talvez ainda tivesse tempo de visitar as páginas do L’Orient‑le Jour, de Beirute, do The New York Times, americano, e do londrino Daily Telegraph, que sempre lhe reservavam novidades interessantes, como lançamentos de novos livros e entrevistas com analistas políticos e especialistas em Oriente Médio. Ela gostava de estar informada sobre como os intelectuais estrangeiros enxergavam a situação no Irã e sentia‑se exultante quando a análise vinha acompanhada de uma conclusão favorável. (…)

Trecho onde a professora Mitra Rahmani, protagonista do núcleo iraniano de O VÉU, lê, na manhã de 13 de junho de 2009, as primeiras notícias sobre a apuração dos votos da polêmica eleição presidencial realizada no dia anterior no Irã, da qual Mahmoud Ahmadinejad sairia reeleito.

O Manifesto Silvestre pela literatura de entretenimento no Entrelinhas

Felipe Pena (Esq.), André Vianco, Pedro Drummond e Luis Eduardo Matta

Signatários do “Manifesto Silvestre” em defesa da narrativa, do entretenimento e da popularização da literatura, os escritores Luis Eduardo Matta, Felipe Pena, Pedro Drummond e André Vianco foram destaque do programa Entrelinhas, que foi ao ar em 18 de julho de 2010, na TV Cultura. Em um bate-papo descontraído sobre livros, literatura popular brasileira e propostas para tornar a leitura acessível, os quatro escritores mostraram que embora sejam de vertentes literárias distintas, têm em comum o interesse em conquistar o leitor com uma história bem contada, não restrita a uma elite intelectual.Para assistir à entrevista, que está disponível na internet, clique na imagem acima ou aqui.

Restaurante Negresco – Rio de Janeiro

(…) O táxi parou suavemente diante do Centro Empresarial Rio, na praia de Botafogo, e Araci Quintanilha, vestindo um terninho preto de lã grossa, desceu primeiro, cobrindo os ombros com uma comprida e grossa pashimina vermelha para se proteger do vento. Da calçada, a leiloeira alta e elegante, hoje com 52 anos, forçou os olhos para observar a fachada envidraçada do restaurante Negresco. Uma porta de duas bandas de mogno com almofadas, ladeada por dois vasos com araucárias. Uma das vitrines da entrada exibia uma garrafa de vinho, uma ânfora de prata e duas taças de cristal lapidado rodeadas de pétalas de rosa. A outra, maior e mais alta, um galhardete anunciando a realização do Festival de Cozinha Medieval que terminaria naquela noite.


Araci soltou um suspiro de desânimo. Ela estava exausta e o dia seguinte seria uma verdadeira prova de fogo (…). Mas não queria desapontar o marido. Bartolomeu Saraiva — mais conhecido como Bartô — além de chef e dono do restaurante era também o organizador do festival, cujos pratos incumbira‑se de preparar pessoalmente (…).

Araci esperou o pai pagar a corrida e descer do táxi para, gentilmente, oferecer‑lhe o braço. Cada qual segurando um guarda‑chuva fechado, subiram juntos os sete degraus de granito castanho que ligavam a calçada à comprida alameda ajardinada do centro empresarial, ornada de palmeiras imperiais, folhagens e árvores de copas generosas e floridas (…). Dali a menos de vinte e quatro horas, Araci comandaria o leilão mais insólito de sua vida (…).

Trecho dos capitulos iniciais de O VÉU, onde é apresentado o elegante restaurante do chef Bartô Saraiva — marido da protagonista Araci Quintanilha —, um dos cenários cariocas do livro.

Leituras da História entrevista Luis Eduardo Matta

A edição 31 da revista Leituras da História, que chegou às bancas no dia 20 de junho de 2010, traz uma entrevista de Luis Eduardo Matta dada ao escritor e jornalista Sérgio Pereira Couto. A conversa abordou vários temas, como religião, terrorismo, geopolítica e literatura, com destaque para o thriller O VÉU. Eis um trecho:

LDH – Qual a sua opinião sobre a questão do terrorismo islâmico e suas repercussões na história contemporânea?
LEM
– O terrorismo não é islâmico. O terrorismo é obra de pessoas desequilibradas que usam o islamismo para referendar e dar sentido à sua loucura. Os textos religiosos – todos eles – até pela sua subjetividade, estão sujeitos às mais diversas interpretações. Acredito que é cedo para avaliar a extensão dos estragos que essas ações causaram no mundo, já que se trata de algo relativamente recente no nosso contexto histórico: sua difusão acentuou-se somente a partir da década de 1970.

A íntegra da entrevista está disponível na página da revista que pode ser acessada neste endereço.

O VÉU no Montbläat

Vale a pena ler O VÉU

Maria Helena Whately (*)

A literatura brasileira não tem tradição de romance policial nem de thriller. E poucos são os escritores que se aventuram por este campo.

Luis Eduardo Matta, 34 nos, é um deles. E nos maravilha com O Véu, imperdível thriller brasileiro, que nada fica a dever aos congêneres estrangeiros. São 525 páginas do mais puro suspense, cada uma provocando expectativas no leitor. Matta dosa, com maestria, a extensão e o conteúdo dos capítulos, sempre recheados de sobressaltos.

A trama de O Véu transita pelo Brasil, Europa e Irã, situando-se entre as artes plásticas, o terrorismo e as turbulências políticas. O suspense tem início com o assassinato do jovem pintor Lourenço Monte Mor, em sua residência em Maricá (RJ). Estaria sua morte ligada a “O Véu”, tela a óleo, onde Lourenço retrata uma mulher seminua usando o véu islâmico, afronta à religião? A intriga, o terror e a morte acompanham a tela, atingindo quem dela se aproxima.

Não deixem de caminhar pelas 525 páginas de O Véu, que Luis Eduardo Matta consegue, da primeira à última, manter eletrizadas.

(*) Especial para o Montbläat Nº 346 – 18 de junho de 2010.

O edifício de Mitra Rahmani e Jaffar Jalaipour – TEERÃ

Todas as manhãs, depois de fazer suas orações matinais e antes de sair para a universidade, Mitra lia dois jornais iranianos — Ettelaat e Tehran Times — que recebia diariamente em seu apartamento, no penúltimo andar de um moderno e luxuoso edifício de vinte e quatro andares na esquina das avenidas Kamranieh e Farmanieh, não muito longe do antigo palácio de inverno do xá.

O bairro, estendido nas franjas do sopé das montanhas de Alborz, era uma área residencial elegante, valorizada e muito arborizada, que hospedava as opulentas villas da nova burguesia e era de fácil acesso aos endereços comerciais mais sofisticados do norte da cidade, ao centro e às principais autoestradas. (…)

Ela levantou-se e debruçou-se no peitoril da janela, avistando a paisagem melancólica dos últimos edifícios de Teerã, onde a cidade encontrava a cordilheira de Alborz, um colossal paredão de rocha cor de caramelo encimado por camadas de neve que lembravam cobertura de marshmallow. (…) Com o sol ofuscando-lhe os olhos, Mitra ficou meditando, na tentativa de visualizar alguma saída para a situação do marido. Foi quando uma ideia estalou em sua cabeça(…).

Trecho de O VÉU, mostrando a personagem Mitra Rahmani em seu apartamento, na capital iraniana.

Luis Eduardo Matta no Livros em Revista – ClicTV – 20/05/10

No dia 20 de maio, Luis Eduardo Matta foi entrevistado por Ralph Peter no programa Livros em Revista, da ClicTV.  Durante cerca de uma hora de conversa animada e descontraída, o escritor falou, entre outros assuntos, sobre o seu processo de criação literária, a relação com os leitores, o advento do livro eletrônico,  e o novo romance O VÉU.

Para assistir a entrevista, que está disponível na internet, clique na imagem acima ou aqui.

Luis Eduardo Matta no Talk Show – JustTV – 18/05/10

No dia 18 de maio, Luis Eduardo Matta concedeu entrevista a Celia Coev no programa Talk Show, da JustTV. Foi uma conversa leve, agradável e informativa. Entre os assuntos abordados, o thriller brasileiro, a situação política no Oriente Médio, a paixão pela ficção de mistério e suspense e o novo livro O VÉU.

A entrevista está disponível na internet e para assistir é só clicar na imagem acima ou aqui.

A Casa Quintanilha de Leilões – Rio de Janeiro

Em agosto de 1999, com o esboço de O VÉU razoavelmente estruturado e as primeiras pesquisas já em andamento, sai às ruas do Rio de Janeiro a fim de encontrar os cenários que eu imaginara para a trama. Foram duas semanas de andanças. Minha principal preocupação – comum a todos os meus livros – era fazer com que a história parecesse o mais real possível. Logo, os cenários precisariam estar fortemente conectados à realidade. Foi quando, numa tarde perambulando por Botafogo, encontrei no final da rua São Clemente, quase na divisa entre Botafogo e Humaitá, o casarão ideal para abrigar a Casa Quintanilha de Leilões, o cenário mais emblemático de O VÉU.

A casa estava desocupada e seu abandono era visível, embora não lhe ofuscasse a opulência. Havia, na entrada, uma placa de “aluga-se”, o que era um bom sinal, já que se a casa estivesse à venda correria o risco de ser demolida, o que em nada interessava ao meu projeto. Alguns dias depois, voltei ao local munido de um caderno pequeno e de uma caneta, para anotar todos os detalhes arquitetônicos e tentar reproduzir em palavras a atmosfera da área. Ao chegar, um senhor varria as folhas da calçada em frente. Era uma oportunidade de ouro. Apresentei-me a ele, disse que estava interessado em alugar a casa e perguntei se poderia conhecê-la por dentro. Ele era uma espécie de caseiro, contratado para manter o jardim relativamente limpo, vigiar e impedir invasões e, com amabilidade, interrompeu seu trabalho para me mostrar a casa por dentro e por fora. A ruína estava por todos os lados. Boa parte da madeira e do reboco havia sido devorada por cupins e o cheiro de mofo em praticamente todos os cômodos era asfixiante. Quem quer que se animasse a alugar o imóvel teria de gastar uma fortuna em reformas e talvez por isso ele tenha demorado tanto tempo para, enfim, encontrar um locatário – o que só aconteceu, se não me falha a memória, em 2005.

Terminada a visita, lembro-me de ter saído a pé pela São Clemente anotando freneticamente no caderninho tudo o que eu havia visto e, o mais importante, de ter rabiscado uma planta do casarão, adaptando a ele o que eu havia imaginado para a casa de leilões do livro. Não custa lembrar que, na época – segundo semestre de 1999 – estávamos já às voltas com as celebrações dos 500 anos de descobrimento do Brasil, que aconteceria, oficialmente, em abril do ano seguinte. Era, inegavelmente, o assunto do momento e entre os que achavam que havia, sim, o que comemorar, apesar de todos os problemas, estava eu. A iniciativa de decorar a Casa Quintanilha com elementos que enalteciam as cores e a simbologia nacionais foi uma consequência direta desse espírito. Não sei se eu teria tido a mesma ideia, caso houvesse começado o livro dois anos antes ou dois anos depois. O certo é que funcionou e, mais ainda, tornou-se um dos aspectos mais apreciados da ambientação da trama. De cada cinco e-mails que recebo com comentários ao livro, pelo menos um menciona  o interior “ufanista” da Casa Quintanilha.

Por essa razão, decidimos publicar esse post dedicado à Casa Quintanilha de Leilões, reproduzindo trechos de O VÉU em que ela é descrita, acompanhadas de imagens do casarão na vida real e de como ele seria caso ali, de fato, vivesse uma família devotada ao comércio e à divulgação da arte brasileira.

Luis Eduardo Matta


(…) O magnífico palacete em estilo neoclássico europeu que abrigava a Casa Quintanilha possuía mil e seiscentos metros quadrados distribuídos em dois andares. Sua decoração era inspirada numa visão romântica e mitificada da gênese brasileira, representada por elementos folclóricos que enalteciam o exotismo, a exuberância tropical e as riquezas naturais do país. A começar pelo símbolo da empresa, reproduzido numa ostentosa estatueta de bronze, isolada sobre um pedestal de mármore no vestíbulo da entrada: um indígena de cocar, agachado, de perfil e com um arco e flecha em uma das mãos.

A alegoria também compunha — ainda que oferecendo uma perspectiva bastante inusitada para a caracterização de um silvícola — um amplo e colorido vitral art nouveau de seis metros de comprimento por cinco de altura no fundo do grande salão, onde era montada a tribuna de jacarandá da qual Araci Quintanilha comandava os pregões. O vitral retratava com requinte uma mulher de pele clara e feições ibéricas, envergando uma veste branca e um cocar de penas amarelas, sentada soberana num trono de mármore, com a mão direita pousada sobre um globo, rodeada pela mata tropical e por exemplares da fauna brasileira, como o tucano, a arara e o jacaré do Pantanal. Encomendado por Emílio Quintanilha, amante da cultura indígena, a um grupo de jovens estudantes da Academia Nacional de Belas Artes, por diversas vezes, esteve no cerne de debates afiados entre críticos de arte e frequentadores dos leilões. Os admiradores da obra costumavam ressaltar sua “vibrante simbologia”, enquanto os detratores, em maior número, torciam-lhe solenemente o nariz, abismados com sua exagerada profusão de cores, seu traçado “inegavelmente naïf” e, principalmente, sua temática, que muitos desqualificavam como “patriotada brega”, “pajelança ridícula” e outros impropérios. Os mais ferozes estendiam as críticas à própria família Quintanilha, sobretudo depois que Araci, no começo de 2004, comandou um leilão vestindo um terninho verde-escuro e com uma echarpe amarela cingindo os ombros. Uma colunista social tachou-a maldosamente de “leiloeira canarinho”, apelido que ainda hoje era pronunciado, sempre pelas suas costas e em tom pejorativo.

Por todo o casarão, o piso de marchetaria exibia mosaicos com uma ampla variedade de madeiras nativas da Amazônia e da Mata Atlântica, como o mogno, que também estava presente nos lambris que revestiam as paredes, nos rodapés e nos batentes e alisares das portas. A mobília, clássica e pesada, era composta, na maioria, por peças dos séculos XVIII e XIX. Os tapetes revezavam-se entre persas e arraiolos e seis vistosos lustres em alabastro com pingentes de cristal compunham o teto. Nos cômodos ao redor do grande salão, pesadas cortinas de veludo verde-musgo, encimadas por bandôs amarelos ornavam as altas janelas de pinho-de-riga. Antúrios e costelas-de-adão de folhas largas e escuras brotavam de dois belos cachepôs de porcelana pintados com motivos tropicalistas, cada qual colocado a um lado do portal que dava acesso ao salão(…).

Luis Eduardo Matta é entrevistado na Chams Tv

Neste próximo sábado, dia 8 de maio, irá ao ar a entrevista que Luis Eduardo Matta concedeu à Chams TV, canal da comunidade árabe brasileira. Na conversa, que aconteceu na Livraria Saraiva do Shopping Pátio Paulista, em São Paulo, o escritor falou, entre outros assuntos, do thriller no Brasil, da importância da leitura, da situação política no Oriente Médio e, é claro, do novo lançamento, O VÉU. A entrevista poderá ser assistida também pela internet, no site TV Aberta.