Oriente Médio em fúria

Em 9 novembro de 2009, às vésperas do lançamento de O VÉU, este blog publicou um post baseado num trecho do livro em que uma possível queda do regime iraniano é mencionada. Agora, com as revoltas populares se multiplicando por vários países do Oriente Médio, o assunto voltou a ocupar as manchetes da imprensa e, por isso, resolvemos republicar aquele post, a fim de reforçar a atualidade da trama de O VÉU. A situação iraniana, exposta no livro, pode se aplicar a muitos governos autoritários da região.


SERÁ O OCASO DA REPÚBLICA ISLÂMICA?

Em junho de 2009, enquanto as ruas de Teerã ardiam com os choques entre a polícia e os manifestantes contrários à suposta fraude ocorrida nas eleições presidenciais que deram mais um mandato ao polêmico Mahmoud Ahmadinejad, a professora universitária Mitra Rahmani, uma das protagonistas de O VÉU,  se encontrou em sigilo com um ministro do governo num parque afastado da capital iraniana. Eis um trecho da cena:

“(…) O rosto de Mitra se contraiu num esgar amargo.

— O senhor fala como se a República Islâmica tivesse muitos anos de vida pela frente — ela declarou, maldosamente.

O ministro balbuciou, como se não tivesse compreendido:

— Perdão?

— O senhor mesmo mencionou a revolta da população depois das eleições. O novo governo não terá tanta legitimidade junto ao povo. E o próprio regime saiu enfraquecido. O banho de sangue que está acontecendo no país apressou a morte da República Islâmica, que pode ter começado a desmoronar neste mês de junho de 2009. Não se esqueça de que a Revolução de 1979 foi uma revolução popular. Se foi o povo que colocou os aiatolás no poder, será o povo que irá tirá-los de lá. E não há absolutamente nada que vocês possam fazer para impedir isso. (…)”

Lendo a matéria acima, publicada na revista Veja, fica a pergunta: será que Mitra Rahmani tinha razão nas suas previsões? A República Islâmica, de fato, caminha para o seu fim?

Anúncios

O Irã conta os votos das eleições de 2009

Primeira página da edição online do Le Monde nas primeiras horas de 13 de junho de 2009. Foi essa página que Mitra Rahmani encontrou ao acessar o computador da universidade naquela manhã

(… ) Ao chegar à universidade, o primeiro compromisso de Mitra Rahmani era com a internet, por meio da qual acessava endereços virtuais de grandes jornais do Oriente Médio, da Europa e da América do Norte. Ela sentou‑se diante de um dos computadores conectados à rede e percorreu rapidamente alguns sites noticiosos iranianos a fim de saber notícias das eleições. A apuração parecia que entrara na reta final. Perto de 80% dos votos tinham sido contabilizados e tudo indicava que, até o fim da manhã, o país conheceria o vencedor.

Era o que também sugeria a edição eletrônica do Le Monde francês, que ela acessou em seguida. Conferiu as horas no mostrador do monitor: oito horas e trinta e quatro minutos. Dependendo da velocidade da conexão, talvez ainda tivesse tempo de visitar as páginas do L’Orient‑le Jour, de Beirute, do The New York Times, americano, e do londrino Daily Telegraph, que sempre lhe reservavam novidades interessantes, como lançamentos de novos livros e entrevistas com analistas políticos e especialistas em Oriente Médio. Ela gostava de estar informada sobre como os intelectuais estrangeiros enxergavam a situação no Irã e sentia‑se exultante quando a análise vinha acompanhada de uma conclusão favorável. (…)

Trecho onde a professora Mitra Rahmani, protagonista do núcleo iraniano de O VÉU, lê, na manhã de 13 de junho de 2009, as primeiras notícias sobre a apuração dos votos da polêmica eleição presidencial realizada no dia anterior no Irã, da qual Mahmoud Ahmadinejad sairia reeleito.

Leituras da História entrevista Luis Eduardo Matta

A edição 31 da revista Leituras da História, que chegou às bancas no dia 20 de junho de 2010, traz uma entrevista de Luis Eduardo Matta dada ao escritor e jornalista Sérgio Pereira Couto. A conversa abordou vários temas, como religião, terrorismo, geopolítica e literatura, com destaque para o thriller O VÉU. Eis um trecho:

LDH – Qual a sua opinião sobre a questão do terrorismo islâmico e suas repercussões na história contemporânea?
LEM
– O terrorismo não é islâmico. O terrorismo é obra de pessoas desequilibradas que usam o islamismo para referendar e dar sentido à sua loucura. Os textos religiosos – todos eles – até pela sua subjetividade, estão sujeitos às mais diversas interpretações. Acredito que é cedo para avaliar a extensão dos estragos que essas ações causaram no mundo, já que se trata de algo relativamente recente no nosso contexto histórico: sua difusão acentuou-se somente a partir da década de 1970.

A íntegra da entrevista está disponível na página da revista que pode ser acessada neste endereço.