Luis Eduardo Matta na Bienal Internacional do Livro 2010

Luis Eduardo Matta aborda tema “literatura infantil e juvenil” na 21ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo.

A convite da Associação de Escritores e Ilustradores de Literatura Infantil e Juvenil (AEILIJ), Luis Eduardo Matta participará de um bate-papo sobre literatura infantil e juvenil, na 21ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo.

Ao lado da escritora Ana Cristina Melo, Matta receberá jovens leitores neste no domingo (15/8), a partir das 11 horas, no estande Coletivo da CBL (ruas N 42 e O 43).

Autor da Primavera Editorial, Luis Eduardo Matta – um dos expoentes brasileiros do romance de suspense não policial – é signatário do “Manifesto Silvestre” em favor da literatura brasileira de entretenimento; um alicerce para a defesa da criação de uma literatura acessível, menos elitizada.

Para ler o texto completo acesse o blog Versão Cultural.

Restaurante Negresco – Rio de Janeiro

(…) O táxi parou suavemente diante do Centro Empresarial Rio, na praia de Botafogo, e Araci Quintanilha, vestindo um terninho preto de lã grossa, desceu primeiro, cobrindo os ombros com uma comprida e grossa pashimina vermelha para se proteger do vento. Da calçada, a leiloeira alta e elegante, hoje com 52 anos, forçou os olhos para observar a fachada envidraçada do restaurante Negresco. Uma porta de duas bandas de mogno com almofadas, ladeada por dois vasos com araucárias. Uma das vitrines da entrada exibia uma garrafa de vinho, uma ânfora de prata e duas taças de cristal lapidado rodeadas de pétalas de rosa. A outra, maior e mais alta, um galhardete anunciando a realização do Festival de Cozinha Medieval que terminaria naquela noite.


Araci soltou um suspiro de desânimo. Ela estava exausta e o dia seguinte seria uma verdadeira prova de fogo (…). Mas não queria desapontar o marido. Bartolomeu Saraiva — mais conhecido como Bartô — além de chef e dono do restaurante era também o organizador do festival, cujos pratos incumbira‑se de preparar pessoalmente (…).

Araci esperou o pai pagar a corrida e descer do táxi para, gentilmente, oferecer‑lhe o braço. Cada qual segurando um guarda‑chuva fechado, subiram juntos os sete degraus de granito castanho que ligavam a calçada à comprida alameda ajardinada do centro empresarial, ornada de palmeiras imperiais, folhagens e árvores de copas generosas e floridas (…). Dali a menos de vinte e quatro horas, Araci comandaria o leilão mais insólito de sua vida (…).

Trecho dos capitulos iniciais de O VÉU, onde é apresentado o elegante restaurante do chef Bartô Saraiva — marido da protagonista Araci Quintanilha —, um dos cenários cariocas do livro.

A sombria véspera do leilão de “O Véu”

Rio de Janeiro, junho de 2009

Chovia forte desde o entardecer. De repente, uma sucessão de lampejos encobertos pelo nevoeiro gelado clareou o topo do Corcovado, enquanto os estrondos dos trovões reverberavam no ar. A estátua resplandecente do Cristo Redentor surgiu momentaneamente por entre uma cortina densa de nuvens, parecendo debater ‑se na vã tentativa de permanecer heroicamente visível em meio à vastidão escura, mas o céu noturno não tardou a ocultá‑la novamente, derrotando, assim, a última trincheira que ainda resistia à assustadora entrada antecipada do inverno úmido na cidade do Rio de Janeiro.

O mar estava em fúria e ameaçava repetidas vezes engolir a areia das praias. Um vendaval cortante e pegajoso, embalado pela chuva, alastrava ‑se pelas ruas encharcadas e melancólicas. O Rio de Janeiro, vazio, silencioso, parecia abandonado à própria sorte.

Trecho da abertura da primeira parte de O VÉU, na véspera do leilão que influenciará toda a trama.

O VÉU, de Luis Eduardo Matta

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Um quadro misterioso que esconde um terrível segredo

ARACI QUINTANILHA é a titular da tradicional Casa Quintanilha de Leilões, no Rio de Janeiro, que vive dias de expectativa com a aproximação do concorrido leilão onde uma misteriosa tela a óleo, chamada “O Véu”, será posta à venda. O quadro que foi condenado por várias lideranças muçulmanas em todo o mundo por retratar uma mulher seminua usando o véu islâmico, tem uma trajetória marcada pelo sucesso, pela polêmica, pela intriga e pela tragédia. Diversas pessoas morreram por sua causa – inclusive o próprio pintor, Lourenço Monte Mor, vitimado por um devastador incêndio em sua casa, jamais esclarecido.

Obscuros segredos do passado parecem ligar o quadro ao assassinato, em 2005 na Arábia Saudita, de Abu al-Horiah, o líder da Azadi, uma organização extremista iraniana responsável por inúmeros atentados terroristas nas décadas de 1980 e 1990. Tudo levava a crer que a morte de Abu al-Horiah e de seu filho Arsalan, tido como seu sucessor, sepultara de vez a Azadi, mas, tempos mais tarde, começaram a circular rumores de que a organização estaria se rearticulando sob o comando de uma nova líder, uma mulher, conhecida como Umm al-Hakika. Os sinistros rumores sobre a ressurreição da Azadi coincidem com a chegada ao Brasil de Mohsen Khajepour, um conceituado intelectual iraniano radicado na Suíça, que acaba barbaramente assassinado em circunstâncias misteriosas às vésperas das polêmicas eleições presidenciais iranianas de junho de 2009.

Durante anos acreditou-se que “O Véu” tivesse sido destruído no incêndio que matou Lourenço Monte Mor, mas ele estivera, todo esse tempo, escondido no apartamento de Araci Quintanilha. Quando o seu leilão é anunciado e a opinião pública toma conhecimento de que a polêmica obra sobrevivera, Araci, subitamente, se vê arrastada para um redemoinho vertiginoso de acontecimentos inquietantes e perturbadores onde sua própria segurança é colocada em risco. Ameaçada por terroristas, ela é obrigada a fugir, sem perceber que uma conspiração de proporções gigantescas está em curso. E que o misterioso quadro, que guardara consigo durante anos, esconde um terrível e fantástico segredo, que poderá mudar tragicamente a geopolítica do mundo para sempre.

Do Rio a Teerã, passando por Genebra, numa narrativa envolvente e eletrizante, onde os bastidores do rico mercado de arte se cruzam com as entranhas sórdidas da turbulenta política do Irã, O VÉU é um vigoroso thriller de mistério, que desafia todas as previsões e onde, praticamente, todos são suspeitos. E onde nem mesmo as obras de arte são inocentes.