O Manifesto Silvestre pela literatura de entretenimento no Entrelinhas

Felipe Pena (Esq.), André Vianco, Pedro Drummond e Luis Eduardo Matta

Signatários do “Manifesto Silvestre” em defesa da narrativa, do entretenimento e da popularização da literatura, os escritores Luis Eduardo Matta, Felipe Pena, Pedro Drummond e André Vianco foram destaque do programa Entrelinhas, que foi ao ar em 18 de julho de 2010, na TV Cultura. Em um bate-papo descontraído sobre livros, literatura popular brasileira e propostas para tornar a leitura acessível, os quatro escritores mostraram que embora sejam de vertentes literárias distintas, têm em comum o interesse em conquistar o leitor com uma história bem contada, não restrita a uma elite intelectual.Para assistir à entrevista, que está disponível na internet, clique na imagem acima ou aqui.

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Restaurante Negresco – Rio de Janeiro

(…) O táxi parou suavemente diante do Centro Empresarial Rio, na praia de Botafogo, e Araci Quintanilha, vestindo um terninho preto de lã grossa, desceu primeiro, cobrindo os ombros com uma comprida e grossa pashimina vermelha para se proteger do vento. Da calçada, a leiloeira alta e elegante, hoje com 52 anos, forçou os olhos para observar a fachada envidraçada do restaurante Negresco. Uma porta de duas bandas de mogno com almofadas, ladeada por dois vasos com araucárias. Uma das vitrines da entrada exibia uma garrafa de vinho, uma ânfora de prata e duas taças de cristal lapidado rodeadas de pétalas de rosa. A outra, maior e mais alta, um galhardete anunciando a realização do Festival de Cozinha Medieval que terminaria naquela noite.


Araci soltou um suspiro de desânimo. Ela estava exausta e o dia seguinte seria uma verdadeira prova de fogo (…). Mas não queria desapontar o marido. Bartolomeu Saraiva — mais conhecido como Bartô — além de chef e dono do restaurante era também o organizador do festival, cujos pratos incumbira‑se de preparar pessoalmente (…).

Araci esperou o pai pagar a corrida e descer do táxi para, gentilmente, oferecer‑lhe o braço. Cada qual segurando um guarda‑chuva fechado, subiram juntos os sete degraus de granito castanho que ligavam a calçada à comprida alameda ajardinada do centro empresarial, ornada de palmeiras imperiais, folhagens e árvores de copas generosas e floridas (…). Dali a menos de vinte e quatro horas, Araci comandaria o leilão mais insólito de sua vida (…).

Trecho dos capitulos iniciais de O VÉU, onde é apresentado o elegante restaurante do chef Bartô Saraiva — marido da protagonista Araci Quintanilha —, um dos cenários cariocas do livro.