Será o ocaso da República Islâmica?

Em junho de 2009, enquanto as ruas de Teerã ardiam com os choques entre a polícia e os manifestantes contrários à suposta fraude ocorrida nas eleições presidenciais que deram mais um mandato ao polêmico Mahmoud Ahmadinejad, a professora universitária Mitra Rahmani, uma das protagonistas de O VÉU,  se encontrou em sigilo com um ministro do governo num parque afastado da capital iraniana. Eis um trecho da cena:

“(…) O rosto de Mitra se contraiu num esgar amargo.

— O senhor fala como se a República Islâmica tivesse muitos anos de vida pela frente — ela declarou, maldosamente.

O ministro balbuciou, como se não tivesse compreendido:

— Perdão?

— O senhor mesmo mencionou a revolta da população depois das eleições. O novo governo não terá tanta legitimidade junto ao povo. E o próprio regime saiu enfraquecido. O banho de sangue que está acontecendo no país apressou a morte da República Islâmica, que pode ter começado a desmoronar neste mês de junho de 2009. Não se esqueça de que a Revolução de 1979 foi uma revolução popular. Se foi o povo que colocou os aiatolás no poder, será o povo que irá tirá-los de lá. E não há absolutamente nada que vocês possam fazer para impedir isso. (…)”

veja.teera.11.2009

Lendo a matéria acima, publicada na revista Veja esta semana, fica a pergunta: será que Mitra Rahmani tinha razão nas suas previsões? A República Islâmica, de fato, caminha para o seu fim?

Anúncios

O VÉU, de Luis Eduardo Matta

o_veu_cenas

Um quadro misterioso que esconde um terrível segredo

ARACI QUINTANILHA é a titular da tradicional Casa Quintanilha de Leilões, no Rio de Janeiro, que vive dias de expectativa com a aproximação do concorrido leilão onde uma misteriosa tela a óleo, chamada “O Véu”, será posta à venda. O quadro que foi condenado por várias lideranças muçulmanas em todo o mundo por retratar uma mulher seminua usando o véu islâmico, tem uma trajetória marcada pelo sucesso, pela polêmica, pela intriga e pela tragédia. Diversas pessoas morreram por sua causa – inclusive o próprio pintor, Lourenço Monte Mor, vitimado por um devastador incêndio em sua casa, jamais esclarecido.

Obscuros segredos do passado parecem ligar o quadro ao assassinato, em 2005 na Arábia Saudita, de Abu al-Horiah, o líder da Azadi, uma organização extremista iraniana responsável por inúmeros atentados terroristas nas décadas de 1980 e 1990. Tudo levava a crer que a morte de Abu al-Horiah e de seu filho Arsalan, tido como seu sucessor, sepultara de vez a Azadi, mas, tempos mais tarde, começaram a circular rumores de que a organização estaria se rearticulando sob o comando de uma nova líder, uma mulher, conhecida como Umm al-Hakika. Os sinistros rumores sobre a ressurreição da Azadi coincidem com a chegada ao Brasil de Mohsen Khajepour, um conceituado intelectual iraniano radicado na Suíça, que acaba barbaramente assassinado em circunstâncias misteriosas às vésperas das polêmicas eleições presidenciais iranianas de junho de 2009.

Durante anos acreditou-se que “O Véu” tivesse sido destruído no incêndio que matou Lourenço Monte Mor, mas ele estivera, todo esse tempo, escondido no apartamento de Araci Quintanilha. Quando o seu leilão é anunciado e a opinião pública toma conhecimento de que a polêmica obra sobrevivera, Araci, subitamente, se vê arrastada para um redemoinho vertiginoso de acontecimentos inquietantes e perturbadores onde sua própria segurança é colocada em risco. Ameaçada por terroristas, ela é obrigada a fugir, sem perceber que uma conspiração de proporções gigantescas está em curso. E que o misterioso quadro, que guardara consigo durante anos, esconde um terrível e fantástico segredo, que poderá mudar tragicamente a geopolítica do mundo para sempre.

Do Rio a Teerã, passando por Genebra, numa narrativa envolvente e eletrizante, onde os bastidores do rico mercado de arte se cruzam com as entranhas sórdidas da turbulenta política do Irã, O VÉU é um vigoroso thriller de mistério, que desafia todas as previsões e onde, praticamente, todos são suspeitos. E onde nem mesmo as obras de arte são inocentes.